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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Pílulas. Públicas. Púdicas.

Se eu fosse um ternerinho eu berrava méééééé!. Como eu não sou, tomo pílulas. O que isso teria a ver? Nada. Então publicamente digo que a única coisa que tenho para tornar público são as minhas pílulas. Sem pudor.
Bazuca, meu cachorro bull-terrier, toma pílulas. Vermífugo, às vezes, e gardenal de três em três horas desde que começou a falar. O veterinário mandou tomar só meio. A outra metade é pra mim.
Bazuca não quer escrever. Está extremamente consternado com um caso em que se envolveu com a cadela poodle do meu vizinho. Desde então só toma gardenal diluído em conhaque e chora enquanto olha pela janela.
Se eu fosse um ternerinho eu gritava mééééérda! e mandava todo mundo pra vaca-que-o-pariu. Como eu não sou, tomo leite. Lá no Korova. Leite alucinógeno. Um copo de leite desnatado, duas colheres de sopa de vodka, três gotas de alvejante sanitário e voilá! Para terminar um uísque cowboy, pois nestes tempos de gripe é melhor desinfetar com álcool por fora e por dentro.
Escrever “whisky” é barbarismo. Isto é, se tem tradução, que é uísque com “QU”, para que escrever em língua estrangeira? Então, como peço em português claro e preciso um uísque cowboy? Pode me dizer? Pedi ajuda aos universitários. Fomos todos juntos ao bar e, para cessar com essas encanações sintáticas, pedimos logo umas cervejas.
Sigo tomando meu uísque estilo menino-vaca. Bazuca só chora as pitangas.
Desisti de ir ao bar. Faço o bar vir até mim, através de um produto novo: chama-se "O bar em casa". É só ligar e vem tudo até aqui. A cerveja. O amendoin. O garçon. Tem até as mesas e a mulherada no pacote. Achei meio caro, entretanto. Pedi só o pacote mais barato. Veio o barman e um bêbado chato. Aluguei-os por duas horas. Coloquei-os na sala e ficamos lá, nós e o Bazuca, reclamando de tudo e jogando general. O barman durmiu no chão e o Bazuca mordeu o bêbado, que saiu correndo e sumiu.
Semana que vem pedirei o pacote mais caro, aquele que vem mesas, barman, garçon, mulher bonita e cardápio com whisky escrito em português.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Ponto G, com "g" de Grupo....

Outro dia vi um documentário sobre pingüins. O narrador disse que apesar de estarem aos milhares no meio do gelo, os filhotes pinguins acham as suas mães sem nenhum problema... porra, como é que alguém poderia saber isso? Eles são todos iguais! Imagino o pesquisador na National Geographic organizando a pinguinzada: “Êpa, pera aí! Esse filhote aí é daquela lá no fundo!”. Cara, nem mesmos os pingüins se acham naquela zona toda!. Quando o filhote volta ele vê milhares de pingüins como ele e vai com qualquer um. Os pais pingüins pegam qualquer um também. Pense na pingüim fêmea falando: “Querido acho que esse não é o nosso” e o pingüim macho diz: "Mulhé, não enche e pega qualquer um, porque é tudo igual! Aliás, nem sei se você é a minha mulher, vocês pinguins fêmeas são todas iguais!”.
Qualquer mulher também é tudo igual: todas tem o ponto G no mesmo lugar: o shopping.
Sabe o que também é tudo igual? Empresas que começam com a palavra “Grupo”. O fulaninho da Silva vai lá e abre uma loja de encanamento, depois contrata mais um e vai logo colocando a palavra “Grupo” na frente da empresa, mas a empresa só tem duas pessoas. Quem lê acha que é algo gigantesco, daí telefona para o “Grupo Silva instalações sanitárias” pra desentupir a fossa da cozinha e logo chega um cara só num Fusca velho que diz: “Nóis do grupo já trabaiamo pra todo o bairro aqui. Pode preguntá. Quem é o grupo? Eu, minha senhora e o filho mais novo do vizinho que faz bico...”.
Eu e meu cachorro Bazuca vamos fundar uma empresa. Vai se chamar Bazuca e Zawa Global Partners. Quando me perguntarem o que a gente faz eu vou dizer: “Ah, a gente é global”, “Tem no mundo inteiro”, “sério que você nunca ouviu falar? Meu senhor, em que mundo você vive?”, depois vou soltar frases do tipo:”Eu quero entrar, você sabe com quem está falando? Sou o presidente de uma instituição global!”, ou “Claro que sou um milionário internacional gata, só esqueci o cartão na minha Mercedes, por isso não posso pagar o motel desta vez”.
Se o Bazuca resolver falar vai se divertir pacas com isso também...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Bazuca, o cão pensador.

Bazuca é o único que me entende. Bazuca é um cão, uma mistura de bull terrier com vira-latas, que só toma água mineral francesa e fala. Sim, fala. Ultimamente não muito, porque troquei a ração dele e acho que ele não gostou. Ele quase nunca falou na verdade. Em verdade ele só falou uma vez em toda sua vida. Que é de dois anos, mas que pra cachorro é tempo pra cachorro, saca? Um dia eu estava na mesa e ele colocou as patas no meu colo e ficou me olhando. Tinha uma cara de quem estava pensando. Então eu falei pra ele só por brincadeira: Vamos Bazuca, diga algo, eu sei que você fala! Então ele me olhou e disse: “É claro!”. Fiquei atônito.
No dia seguinte telefonei para o criador de Bazuca, Barão de Von Svreden na Antuérpia, e lhe contei o acontecido. Ele disse que isso é normal em bull terriers cruzados com vira-latas, mas só com vira-latas, porque falar é muita malandragem pra cachorro e só os vira-latas tem essa malandragem e que os vira-latas puros não falam por que falar é coisa muito nobre e que lhes falta sangue azul. Não deixei ele terminar por que ligação internacional é muito cara e desliguei.
Depois disso ele nunca mais falou. Vi ele cheirando uns jornais velhos outro dia e estou desconfiado de que ele sabe ler. Mas ainda não tive a confirmação.
Outro dia enquanto ele estava do meu lado eu folheei a página do caderno econômico do jornal e perguntei como quem não quer nada: “a bolsa está subindo novamente não é mesmo?”, mas ele não falou nada. Talvez não leia o caderno de economia. Nem me olhou, então foi para o gramado e fez um cocô enorme. Talvez ele esteja se comunicando por códigos agora. Sua ação talvez quis dizer: “Veja o que penso da economia: estou cagando pra ela!”. Da próxima vez vou falar com ele sobre culinária quem sabe...
Outro dia de madrugada ouvi alguém gritando :"Vamos sua baleia gorda, você sabe o que eu vim fazer aqui! Anda logo sua vaca nazista, o que você ganha com isso?!” Desci as escadas correndo e encontrei Bazuca de frente para a geladeira tentando abri-la com a pata. Não sei se sonhei com essa frase ou se efetivamente Bazuca disse aquilo. De qualquer maneira a única vez em que o vi falar foi a antes referida.
Tentei explicar para Bazuca as minhas teorias de vida: como todos são loucos e eu mais ainda, que o planeta talvez seja oco, que talvez haja vida em outros planetas que sabem que a gente existe, mas não estão nem aí pra nós, que o Led Zeppelin tem o melhor rock'n'roll do mundo, que Marx só escreveu o que escreveu porque não conseguia comer ninguém etc, mas ele só me olhou e foi para o jardim fazer um cocô. Espero que ele não esteja falando por sinais afinal.